Da mesma forma que já feito anteriormente com o Passat Plus, este artigo tem o objetivo de especificar alguns detalhes do Passat LSE que ficou conhecido por aqui como Passat Iraque, no intuito de ajudar os proprietários que estejam restaurando um exemplar destes.

Em primeiro lugar, cabe aqui uma breve explicação sobre esta versão. Até mesmo para evitar que informações equivocadas se propaguem, o que é mais do que comum na internet. Apesar de ter havido o envio de um lote de VW para o Iraque em 1978, entre os quais o Passat constava entre os veículos exportados na ocasião, o Iraque começou a importação regular dos Passat no ano de 1983, seguindo até o fim da produção do Passat no Brasil, em 1988. Portanto, é um erro chamar qualquer Passat 4 portas de “Passat Iraque”.
Este apelido surgiu exatamente para estes modelos que de fato eram destinados ao mercado iraquiano e acabaram sendo vendidos aqui, especificamente nos anos de 1986 e 1987, quando já não havia a opção de 4 portas para o Passat no mercado interno.
O esquema de exportação para o Iraque seguia uma triangulação peculiar: a Volkswagen enviava os Passat para o Iraque, que pagava com petróleo. O petróleo era recebido pela Petrobrás no Brasil, que repassava o valor em dinheiro para a Volkswagen. Em meados de 1986, por conta de um excedente de petróleo no Brasil, a Petrobrás solicitou que a Volkswagen suspendesse a negociação por um período.
Com diversas unidades do modelo já montadas e também para evitar que uma linha de montagem específica fosse paralisada, a solução da montadora foi obrigar as concessionárias a levarem um determinado número destes Passat na cota destinada a cada uma.
De início, a idéia não foi bem aceita pelos revendedores. Porém, logo os consumidores descobriram esta versão bem equipada e as boas vendas, até mesmo com fila de espera em algumas concessionárias, acabou dissipando este receio inicial. Nada muito surpreendente: por um valor equivalente ao dos concorrentes e até mesmo do próprio Passat LS, o consumidor poderia levar pra casa um carro confortável e bem equipado, com painel completo e ar-condicionado.
Como comparação, os dados da revista Quatro Rodas da época citavam o Passat Iraque ao custo de Cz$ 89.900,00 e comparavam seu valor ao do Fiat Prêmio CS 1.3 (Cz$ 89.995,00), Ford Del Rey GL (Cz$ 89.929,00), Monza standard 4 portas (Cz$ 86.401,00) e Santana CS (Cz$ 88.689,00).

As principais diferenças mecânicas do Passat Iraque em relação aos demais Passat da mesma época era o uso do antigo motor MD-270, enquanto a linha 1986 recebia os novos motores AP. Além disso, o Passat Iraque ainda utilizava o tradicional câmbio de 4 marchas, apesar dos modelos Village e GTS Pointer já contarem desde o ano anterior com a caixa de mudanças dotada de 5 marchas.
A decisão da Volkswagen de manter o conjunto mecânico antigo era a de facilitar o envio de peças de reposição para o Iraque, mantendo por lá os mesmos componentes utilizados desde a linha 1983. Fora isso, o motor recebia um radiador de cobre de maior capacidade. A ventoinha era de maior potência (possuía 250w, contra os 180w da utilizada nos Passat para o mercado interno).
Com relação as cores da carroceria, uma dúvida ainda paira no ar. O teste da revista Quatro Rodas da época mostra uma unidade azul e cita a cor como “Azul Mediterrâneo”. De fato, o exemplar testado aparenta ser um tom de azul um pouco mais escuro (nada que possamos comprovar, já que câmeras, condições climáticas no momento da fotografia e a própria impressão da revista podem alterar as tonalidades das cores). Porém os Passat Iraque azul que encontramos nos diversos eventos pelo Brasil, quando originais, são da cor “Azul Laguna”.
Diversas fotos que vemos atualmente no Iraque mostram que de fato há as duas tonalidades de azul. Porém, como ainda não conseguimos uma comprovação confiável de que ambas foram vendidas também no mercado interno, convencionamos que apenas o Azul Laguna foi oferecido no Brasil. Se você possui um Passat Iraque da cor Azul Mediterrâneo de fábrica (comprovado facilmente através da plaqueta fixada próximo ao fecho do capô, que indica a cor do carro), por favor entre em contato através de nosso formulário.
Já no interior, o Passat Iraque chamava a atenção a cor vinho do estofamento das portas e bancos para a maior parte dos modelos. Apenas o modelo de cor Azul Laguna saía de fábrica com o interior cinza. O carpete era mais espesso, com 10mm, ao contrário do carpete de 6mm usado nos demais modelos. O painel era completo, com conta-giros e econômetro, além do mesmo console utilizado no GTS Pointer. O ar-condicionado era de série, fato pouco comum nos anos 80.
Características do Passat Iraque
Características externas
– Cores metálicas: Cinza Prata e Vermelho Fênix
– Carroceria de 4 portas
– Possui quatro ganchos de reboque, sendo um em cada de lado de ambos os pára-choques
– Vidros verdes, com desembaçador do vidro traseiro
– Emblema “1.6” na grade
– Emblemas com o logo VW e “Volkswagen” no lado esquerdo da tampa da mala
– Emblemas “Passat” e “LSE” no lado direito da tampa da mala
– Rodas de aço tala 5″ com calotas centrais cromadas
– Frisos dos vidros cromados
– Frisos da caixa de ar pretos
Características internas
– Ar-condicionado e ar quente
– Painel completo, com conta-giros e econômetro
– Econômetro com escala entre 8 e 18 km/l
– Velocímetro até 200 km/h
– Toca-fitas Bosch Los Angeles II
– Alto-falantes nas portas dianteiras e na chapa próxima ao vidro traseiro
– Console com voltímetro e marcador de temperatura do óleo
– Iluminação do porta-luvas, motor e porta-malas
– Espelhos retrovisores com controle interno
Características mecânicas
– Câmbio de 4 marchas
– Radiador de cobre
– Sistema selado de arrefecimento, igual ao usado no Santana na mesma época
– Ventoinha do radiador de 250w
– Protetor de cárter de série
Home-Page do Passat O primeiro site sobre o Passat brasileiro








E o meu já está com placa preta (preta mesmo, nao treta kkk), em breve vou providenciar uma bateria de fotos com boa resolução e postar no meu FACEBOOK.
eu tenho um branco paina, o meu apesar de muito novo ja virou um pointer de 4 portas pois o motor ja é 1.8 ap e cambio de 5 marchas e rodas aro 14 do pointer, o meu com certeza não vai ser um placa preta
Mesma situação do meu…preciso fazer funilaria e pintura e recolocar o ar condicionado!
O texto foi muito bem escrito, mas o Iraque não importou o Passat só até 1986? Como esta escrito que seguiu até 1988? Mas apesar disso o seu site é muito bom. Parabéns 😉
Desculpe, não li o resto. Errei, ignore meu comentário ;(
Amigos eu tenho um Passat iraquiano 86 prata, o carro esta em perfeito estado inclusive o radio original e segundo alguns membros do meu clube é forte candidato a placa preta porém o cambio dele é de 5 marchas, já vi em outros sites comentários de que existiram alguns Iraquianos de 5 marchas isso procede?
Boa tarde! Não procede. Os Iraque sempre saíram com 4 marchas e o motor MD-270.
Mas nesse texto acima se você não reparou esta sendo dito que saiu a partir de 86 com motor ap 1.6 com cambio de 5 marchas.
Eu fiz o texto… Enquanto toda a linha Passat ganhava o motor AP e o câmbio de 5 marchas, o Iraque permanecia com a configuração antiga.
Eu tenho um lse azul mediterrâneo com as plaquetas todas escritas em outras línguas
Por favor, teria como mandar foto da plaqueta que fica na travessa onde está a fechadura do capô?
Porque é tão difícil achar o emblema LSE, será que ninguém se interessou em fazer um paralelo?
Tenho um 87 com as 5 rodas snowflakes, saiu algum modelo do iraque com essas ou só de ferro mesmo?
Boa tarde, Gabriel! Apenas com as rodas de aço mesmo, conforme a matéria.
Ok obrigado, é uma pena por que amo aquelas rodas kkk
Vi um Passat Iraquiano 1987, porém o documento mostra um motor com 56cv. Porem, pelo que li, os Passat tinham motor MD270 com 72cv. É possível ou poderia ser erro na impressão do documento?
Os erros desse tipo nos documentos são bem comuns. Até mesmo potência zero é comum encontrar. Em geral, eu não aconselho se guiar pelo documento de um carro pra saber que motor ele usa.
Boa Tarde.
Tenho um 86/87 vermelho, mas o motor é AP e câmbio 5 marchas. Fora isso ele é idêntico aos mostrados nas fotos como modelo iraquiano. Saiu alguma série para mercado interno com apenas essas alterações? Seria errado chama-lo de iraquiano então?
Bom dia! Não saiu nenhuma série assim. Certamente motor e câmbio foram trocados, o que é bastante comum.
Ótima matéria, parabéns pela publicação André ! Estou restaurando um LSE Paddock 1984, o meu também usa o motor MD 270, sendo que a álcool. Será que sai alguma matéria desse modelo ? Abraços !!