Como não é qualquer novidade, o que mais prezamos aqui na Home-Page do Passat é a preservação e divulgação da história do modelo. Por isso, os jornais de época são tesouros que merecem ser destrinchados. O trabalho é árduo e na maioria das vezes o material não tem nada gráfico que chame a atenção do leitor. Porém, o conteúdo é muito útil para mostrar os detalhes daquela época: características, dificuldades, diferenças para os dias de hoje, entre outros.
E é exatamente isso que faremos, mais uma vez, neste post. No longínquo 17 de julho de 1974, o Jornal do Brasil publicava a matéria Bittig está pronta para o Passat no seu Caderno de Automóveis. Parte reportagem e parte propaganda da concessionária, a matéria trazia apenas uma foto de um chassi de Variant ou TL como chamariz, acompanhada de um tanto de informações interessantes sobre como foram os preparativos da rede autorizada Volkswagen para receber um carro que nada tinha a ver com o que eles vendiam até então.
A Bittig, vale contextualizar, foi uma das maiores concessionárias Volkswagen do estado do Rio de Janeiro. O primeiro registro que encontrei de sua existência foi um anúncio de 1962 do Auto Posto Bittig, que ainda opera na região da Praça Seca. O nome foi o mesmo pelo menos até 2014 e depois disso não consegui confirmar se ainda utilizam a mesma denominação. Mas é bem provável. Apesar de ser um posto de combustíveis, já anunciava os serviços de venda de peças e acessórios e, em outros anúncios daquele ano, também o de venda de automóveis.

Ainda nos anos 60, a concessionária teve endereço na Rua Clarimundo de Melo 858 (Quintino). Em novembro de 1968, encontramos o registro da inauguração da sede própria na Estrada Intendente Magalhães 261, onde teve um grande loja que é a citada na matéria que reproduziremos adiante. Além disso, a concessionária também vendeu motos Honda nos anos 80, uma prática que não era rara entre outras revendedoras Volkswagen no Rio de Janeiro. Nessa época o único endereço nos anúncios era exatamente o da sede e, aparentemente, não havia mais as filiais.

Atualmente, nenhum dos endereços encontrados, além do posto de gasolina, possui comércio relacionado a veículos. A sede chegou a abrigar a concessionária Dirija, da Chevrolet, mas a última imagem no Google Street View (agosto de 2024) mostra o terreno totalmente vazio. Já faz muito tempo que não passo pelo local, então não sei dizer se já existe algo neste terreno. Mais um trabalho para os nossos leitores!
Os últimos registros que encontrei sobre a concessionária são do início dos anos 2000. Tenho uma vaga lembrança da Bittig ainda estar em atividade, talvez por volta do ano de 2002 ou 2003. Mas não consegui confirmar o ano do seu fechamento. Se algum leitor tiver a informação correta, compartilhe nos comentários! Esse período do início dos anos 2000 foi crucial para o fechamento de diversas concessionárias das 4 grandes montadoras que se instalaram no Brasil nas décadas anteriores, muito por conta do aparecimento de novas concorrentes.
Enquanto Volkswagen, Ford, Chevrolet e Fiat nadaram de braçada por aqui por muito tempo sem grandes preocupações, a chegada de diversas outras marcas beneficiou o consumidor, mas acabou sendo um golpe para os antigos revendedores. Nomes icônicos no Rio de Janeiro, como Anasa, Guanauto e Wilsonking aos poucos foram viraram história. E é exatamente para preservar esses fragmentos históricos que reproduzimos a matéria aqui no blog.
Será ainda melhor se os leitores nos atualizarem com as novidades sobre os endereços onde a concessionária funcionou e qualquer outra informação interessante sobre ela. E os funcionários citados na matéria? Será que teremos notícias deles nos comentários?
Aliás, notaram algo diferente? Depois de muitos anos, o blog foi, enfim, incorporado ao site principal. Era um projeto antigo, sempre adiado por diversos motivos. Por conta disso, alguns posts podem apresentar falhas temporárias (imagens ausentes, buscas não tão eficientes) que foram causadas pela migração entre os sistemas. Estamos corrigindo aos poucos! Pedimos desculpas por isso e agradecemos pela compreensão.
Ah, vem mais novidades por aí… O site está a ponto de completar 29 anos no ar, mas nem por isso vai deixar de receber melhorias e novo conteúdo.
Enfim, você pode conferir abaixo o conteúdo da matéria original.

Bittig está pronta para o Passat
O Passat, novo lançamento da Volkswagen, vai receber um tratamento especial na autorizada Bittig, centro de treinamento da fábrica na Guanabara. Com tudo pronto para um atendimento separado, que comporta inclusive um sistema de diagnose — o Passat representa uma linha completamente diferente da Volks, no que se refere à mecânica e lataria — a Bittig está em compasso de espera.
— Nossos técnicos estão preparados e ainda vamos dar muitos cursos sobre o carro, com aulas teóricas nas quais apresentaremos filmes. Só falta mesmo a mercadoria, que deve chegar depois de 23 de julho — explica o Sr. Milton Cardoso dos Santos, gerente superintendente da Bittig. Mas os outros modelos VW contam também com um sistema completo de serviços e em breve terão à sua disposição a moderna estufa para pintura.
Pelo vidro
Uma das mais importantes autorizadas da Guanabara, a Bittig oferece um sistema completo de serviços, que vai do transporte dos clientes, assistência técnica dos veículos, venda de acessórios e peças a revenda. São três Kombis escaladas para levar o cliente de volta ao trabalho ou a casa. Numa área total de 17 mil m², com 232 funcionários, a Bittig dispões de recursos para bem equipar sua oficina, atendendo em média 100 carros por dia, mas com capacidade para 150.
Lanternagem, pintura, mecânica avançada, balanceador eletrônico de rodas e testes eletrônicos de regulagem são alguns dos tratamentos que se carro poderá receber. Além disso, tem dois sistemas de diagnose – manipulados por técnicos vindos de cursos de preparação intensivos – que atendem a cerca de 20 carros por dia. A procura tem sido tão grande, um pouco talvez pela novidade, que um terceiro sistema está sendo construído.
O serviço mais procurado é o de revisão, com entrega para o mesmo dia.
— Permitimos que o cliente assista a qualquer serviço pelo vidro; ele só não pode entrar na área reservada à oficina – diz o Sr. Milton. A novidade em termos de serviço é, sem dúvida, a nova estufa, um grande galpão todo em chapa de metal.

Muito calor
A estufa tornou-se necessária depois do aparecimento dos tintas metálicas, acrílicas. Nós construímos o que há de moderno em estufa, porém, está tudo parado por falta de matéria-prima. Sem cabos não podemos fazer nada e isso representa um capital empatado de Cr$ 200 milhões – se lastima o gerente de oficina, Manolo. Mas acrescenta, entusiasmado: a estufa apresenta uma série de vantagens, como economia de mão-de-obra, evita o polimento do carro e a tinta tem maior durabilidade devido à qualidade da pintura. Pretendemos dar garantia de um ano, portanto, maior do que a da fábrica, que é de seis meses.
Aparentemente complicado, o novo sistema de estufa é na realidade simples: um grande galpão de metal dividido em duas espécies de câmaras. Na antecâmara fica um exaustor ligado para tirar todas as impurezas, inclusive a solvência das tintas. Após a secagem, o carro está então preparado para entrar na estufa propriamente dita. Sob uma temperatura de 80 graus centígrados, num período de 30 minutos, ele fica pronto para a montagem.
O tempo de permanência na estufa depende do tipo de pintura. A comum leva apenas 15 minutos e a metálica 30 minutos. No sistema anterior o carro levava 24 horas para secar. Com a estufa o cliente pode tirar o carro no mesmo dia em que entregou. E o mais importante: o preço desta pintura é o mesmo da comum, pelo menos nos primeiros meses, a título de promoção, segundo o Sr. Manolo. E isso se explica devido à redução dos custos que a estufa possibilita.
Esse sistema se estende também a pequenos serviços de pintura de peças, principalmente para-lamas. Nesse caso, o cliente paga apenas a pintura, sendo gratuita a montagem. O Passat contará com um medidor ótico da Bosch para verificar divergência de rodas, empenos, ou seja, a geometria geral da suspensão.
O departamento de peças é o orgulho do Sr. Altamiro Freitas, gerente do setor.
— Só falta peça aqui quando não tem na fábrica. Porta, capô, pára-lama, motor, tanque de gasolina — temos tudo. No início isso aqui era um espetáculo. Mas agora não temos lugar para colocar as coisas. Já recebi os catálogos do Passat e não sei o que fazer.
Realmente, o estoque é tão completo que a Bittig lida com um problema sério de falta de espaço.
Situada na Rua Intendente Magalhães 261, a Bittig foi a primeira a surgir, há seis anos, em Deodoro. Hoje há todo um mercado paralelo e a antiga rua pacata já é conhecida como a rua do automóvel. O Sr. Miton define a importância da Bittig “pelo fato de estarmos em área militar. Oitenta por cento de nossos clientes são militares. O presidente do Clube Militar só compra e conserta carro aqui. E temos 4700 clientes ativos. Damos estágios gratuitos a todas as corporações militares que desejarem.”
Em fase de expansão, apesar de ter três lojas (Min. Edgard Romero, 368; Intendente Magalhães, 639 e 95), a Bittig comprou uma área de 3 mil metros quadrados em Jacarepaguá (Estrada dos Bandeirantes, 88) para revenda de carros usados, que deve ser inaugurada daqui a um mês. Tudo isso dentro de um quadro não muito promissor: a venda de carros caiu. Apesar disso, a Bittig vende 450 carros novos e 130 usados por mês, sem crédito direto, cortado há cinco meses devido a alguns problemas com os pagamentos.
Com centro de treinamento da VW na Guanabara, não só das linhas antigas como também agora do Passat, a Bittig administra uma série de cursos para gerentes, chefes de seção de peças, mecânicos, recepcionistas, balconistas, treinando seus próprios técnicos e os de outras autorizadas. Além disso, ela promove um curso amador para quem quiser, de quatro semanas, aos sábados. E para surpresa as vagas são muito disputadas pelas mulheres, que tentam assim ficar em pé de igualdade com os homens.
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