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Passat Sorana

A ausência de um Passat Variant sempre foi sentida pelos consumidores brasileiros e teria sido uma excelente opção entre as disponíveis na categoria. Esta opção de carroceria foi oferecida não apenas na Alemanha, mas em diversos países, como o Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, entre tantos outros. No Brasil, porém, a Volkswagen deu preferência a Variant II, apostando na robustez e aceitação do motor refrigerado a ar em nosso mercado. O modelo, entretanto, nunca foi um sucesso de vendas.

Para satisfazer esta parcela de consumidores, o Passat Sorana foi lançado no mercado. Concebida pela concessionária paulistana de mesmo nome, ela não foi a primeira transformação deste tipo que tivemos por aqui. Antes disso, e ainda mais conhecida, a também paulistana concessionária Dacon, em 1978, também havia apresentado o seu modelo de Passat perua. Também falamos destes e de outros modelos no artigo “Peruas e picapes Passat “Made in Brasil”, que produzimos em parceria com os mestres Alexander Gromow e Hugo Bueno.

Passat Sorana
Passat Sorana, em imagem de divulgação. Fonte: Jason Vogel / O Globo

    

Passat Sorana

A transformação, realizada pela antiga concessionária de São Paulo, que ainda se mantém em atividade, foi apresentada em 1981. Usando como base um Passat LSE, o resultado final obtido era mais sóbrio do que as versões produzidas pela Dacon.

Passat Sorana
Créditos: Jason Vogel / O Globo

   

O registro mais antigo que encontramos de divulgação do Passat Sorana foi no jornal O Poti, do Rio Grande do Norte. A edição do dia 25 de janeiro de 1981 trazia a nota “Passat agora é camioneta” e um texto curto, que informava que a Sorana passava agora a produzir e vender a camioneta Passat. O texto ainda informava que a transformação poderia ser realizada ao custo de Cr$310.000,00 em qualquer Passat de 4 portas.

Passat Sorana
Imagem do jornal O Poti, no dia 25 de janeiro de 1981.

Ainda segundo o jornal, a carta de homologação junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas já havia sido providenciada e que a parte mecânica do automóvel não sofria qualquer alteração em comparação ao Passat de fábrica, mas que a carroceria recebia diversas partes em fibra de vidro.

Outro registro bem conhecido é da revista Quatro Rodas, que em sua edição de número 255 (outubro de 1981) realizou um teste com um dos exemplares produzidos do Passat Sorana. A revista, no costumeiro excelente texto de Claudio Carsughi, destacava que o desempenho e consumo da perua era compatível com o exemplar de fábrica. Alem disso, possuía maior espaço interno, além de acabamento cuidadoso.

Passat Sorana
O Passat Sorana testado pela revista Quatro Rodas foi transformado a partir de uma versão LSE. Seu valor final era o mesmo de um Opala Diplomata.

Havia ressalvas quanto ao novo vidro lateral traseiro, com notáveis irregularidades nas borrachas e falta de frisos, fugindo do padrão dos demais vidros. Estas janelas, inclusive, possuíam abertura em compasso. O Passat Sorana recebia algumas modificações, como o estofamento em couro dos bancos e forração das portas. O relógio de horas no console foi substituído por um manômetro de óleo, o que foi considerada uma modificação bastante positiva.

Externamente, também era possível notar as polainas de aparência retrátil, como as utilizadas pela Dacon e no mercado de acessórios da época, também usado posteriormente no Passat LS Série Especial.

  

Outros equipamentos eram comuns ao Passat LSE, no caso da unidade testada pela Quatro Rodas. Itens como vidro traseiro com desembaçador, espelho retrovisor do lado direito e rádio AM/FM estéreo se faziam presentes. Porém, era notável a falta de um limpador para o vidro traseiro.

O nível de ruído também não se apresentou muito diferente do exemplar de fábrica, mesmo com o aumento do espaço interno.

Passat Sorana
A nova tampa traseira tinha sistema semelhante ao do modelo convencional de 3 portas, com abertura a partir da altura das lanternas traseiras.

Quanto a sua principal diferença para o Passat convencional, a revista destacava que a porta traseira possuía fácil acionamento, apesar de ser um tanto pesada. A posição do estepe, sempre criticada por conta da necessidade de retirar a bagagem em caso de troca do pneu, se manteve no local de origem. Porém, havia a vantagem de manter o assoalho plano, livre de ressaltos e reentrâncias que poderiam prejudicar a acomodação de carga.

Passat Sorana
O Passat Sorana apresentava amplo espaço no porta-malas e bancos forrados em couro.

   

Com a mesma mecânica 1.6 utilizada no Passat LSE que lhe deu origem, além do Passat TS, o Passat Sorana proporcionava bom desempenho e baixo consumo. Como não houve alteração na caixa de marchas, o engate continuava macio e preciso como no Passat de fábrica. A velocidade máxima obtida no teste ficou, na média, em 151,989 km/h, com máxima de 152,542 na melhor passagem. Sua aceleração de 0 a 100 km/h era alcançada em 14,21 segundos e alcançava os 1000 metros, saindo da imobilidade, em 36 segundos.

Na retomada de velocidade, o Passat Sorana levou 21,12 segundos para ir de 40 a 100 km horários, com o câmbio em quarta marcha. Nas mesmas condições, o veículo testado levou 40,47 segundos para, saindo dos 40 km/h, percorrer 1000 metros.

Seu consumo em estrada, apenas com o motorista e a 80 km/h constantes, foi de 13,77 km/l de gasolina. Mesmo com o carro carregado no limite admissível, seu consumo foi de 12,87 km/l, considerado bastante adequado. Na cidade, a média foi de 7,97 km/l.

Passat Sorana
A estabilidade do Passat Sorana pouco foi modificada com a transformação.

  

Mesmo com a mudança de peso, principalmente na traseira, a suspensão do Passat Sorana não sofreu modificações em relação ao modelo produzido pela Volkswagen. Sua estabilidade, entretanto, não foi muito alterada com a transformação. Foi relatado que, com muita carga, uma demora de resposta do carro ao movimento do volante era percebida, com alguma mudança de estabilidade  e maior peso no volante. Porém, era ressaltado que este tipo de comportamento era exclusivo ao uso do carro nos seus limites, não sendo notado no uso normal do veículo. A frenagem também não sofreu grandes alterações em relação do Passat de fábrica.

Cabe ressaltar aqui que o veículo testado possuía 970 kg, dos quais 557 kg no eixo dianteiro e 413 kg no eixo traseiro. Com isso, a revista considerava satisfatórias as marcas de desempenho e consumo alcançadas.

  

Por fim, seu valor fazia do Passat Sorana um veículo restrito a poucos. O carro pronto, produzido a partir de um Passat LSE 0km, poderia ser comprado por aproximadamente Cr$1.500.000,00. Valor compatível ao de um Opala Diplomata testado pela mesma revista dois meses antes. Infelizmente não conhecemos atualmente nenhum exemplar que tenha sobrevivido, além de não termos notícias de quantos Passat foram transformados pela concessionária.

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