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Passat Malzoni

Rino Malzoni foi um dos grandes nomes ligados aos automóveis no Brasil. Entre suas criações mais famosas estão o GT Malzoni e o FNM Onça. Os GT Malzoni tiveram uma história de sucesso nas pistas, com nomes como Emerson Fittipaldi e Jan Balder ao volante. Ele esteve, junto com outros sócios, a frente da Puma até 1974. Rino também foi um dos responsáveis pela criação do Carcará, recordista brasileiro de velocidade em 1966 com a modesta mecânica DKW, atingindo mais de 210km/h com o piloto Norman Casari. Mas o assunto que vamos nos deter neste artigo é o curioso Passat Malzoni.

Passat Malzoni
Passat Malzoni coupé e conversível. Imagem do livro “Rino Malzoni – Uma vida para o automóvel”, da editora Alaúde.

   

O projeto Passat

Entre 1977 e 1978, já afastado da Puma, Rino Malzoni começou a projetar um esportivo utilizando o Passat como base. A idéia era assegurar exclusividade a quem pudesse pagar por isso e pelo menos três opções foram estudadas: um fastback, um conversível e um coupé. Em todas elas, o capô e os pára-lamas dianteiros foram alongados, fazendo com que as portas fossem deslocadas pra trás, assim como os bancos dianteiros. O comprimento, porém, era o mesmo do Passat. As entradas de ar existentes próximo das hastes dos limpadores de pára-brisa foram suprimidas.

Devido ao espaço menor para os passageiros, as três opções eram do tipo 2+2, com espaço bastante reduzido no banco traseiro. O protótipo da versão fastback foi feito com base em um modelo 3 portas e contava com uma curiosa faixa na carroceria. A imagem obtida mostra que ainda faltavam alguns itens para completar a montagem do carro, como frisos e vidros laterais.

Passat Malzoni 3 portas
O protótipo feito com base no Passat 3 portas possuía uma faixa lateral.

 

A foto de época da versão conversível também demonstra ser um carro ainda incompleto, igualmente com a falta dos frisos dos vidros laterais. Além disso, também faltavam a capota, calotas das rodas e não é possível confirmar se os bancos estavam montados. A tampa da mala era reta, como em alguns modelos Dacon, produzida em fibra de vidro. A foto desta unidade já montada se encontra na abertura desta matéria, junto ao modelo coupé.

 
Passat Malzoni conversível
O protótipo conversível.

 

Por fim, o coupé registrado na imagem abaixo aparenta estar completo e apresenta um desenho bastante agradável. A lateral com o pequeno vidro traseiro, remete ao desenho dos primeiros Mustang Hardtop e, por consequência, também ao FNM Onça, uma das criações de Rino Malzoni. Os faróis utilizados eram do Passat LS e os frisos e pára-choques eram pintados de preto. A ausência de cromados era característica das personalizações da época.

   

O teto de vinil e as rodas de magnésio fechavam o visual esportivo, e ao mesmo tempo sóbrio. A foto colorida do início do artigo, apesar da baixa resolução, mostra que o resultado final foi bem harmônico, inclusive da combinação de cores da carroceria e teto de vinil.

Passat Malzoni
Linhas agradáveis e esportividade no Passat Malzoni coupé.

   

O protótipo testado por Quatro Rodas

Em 1978, a revista Quatro Rodas teve a possibilidade de testar o que provavelmente foi o último protótipo do Passat Malzoni. Segundo a publicação, o carro poderia ser encomendado com a tradicional motorização 1.5 do Passat ou com o 1.6 do TS. O custo era de aproximadamente o dobro de um Passat 0km. Na pista, o modelo revelou uma estabilidade ainda melhor do que a do Passat original, devido a melhor distribuição de peso entre os eixos. Seu peso era 34kg maior do que o do Passat de série.

Passat Malzoni
O exemplar testado pela revista Quatro Rodas em março de 1978.

Passat Malzoni

A revista também observou outras modificações, como o quadro do pára-brisas mais inclinado e suspensão levemente rebaixada. Isso fazia com que o Passat Malzoni fosse 9,5cm mais baixo que o modelo original. Na dianteira, diferente do protótipo apresentado acima, foram utilizados faróis de Dodge Polara, como a Dacon já havia feito com a versão duas portas do Passat Break, porém com modificação nas setas. Na grade, saía o emblema VW para dar lugar ao da Malzoni.

Interior do Passat Malzoni

 

A revista criticou o acabamento da unidade pré-série, com poucas diferenças para o modelo original. O volante aparentava ser de madeira, mas era de plástico, e o painel não tinha grandes alterações. A chave de contato não era localizada na coluna de direção, por conta do seu encurtamento, mas sim no painel. O estofamento utilizava veludo azul, com bancos dianteiros de encosto alto e desenho exclusivo, e o banco traseiro possuía menores dimensões que o original, como cabe a um modelo 2+2. Apesar de não haver o equipamento na unidade testada, a promessa é a de que o Passat Malzoni seria equipado de série com ar-condicionado.

   

Rino Malzoni faleceu em 1979, aos 62 anos de idade, sendo esta sua última criação. Até onde a história é conhecida, o Passat Malzoni não chegou a ser produzido em série. Além dos carros das fotos, há notícias de que outro foi produzido, igual ao carro testado por Quatro Rodas, porém na cor vermelha. Essa unidade possuía teto de vinil preto, bancos de Puma e pneus Pirelli CN-36. Não temos qualquer confirmação de que algum destes exemplares tenha sobrevivido aos dias de hoje.

 

3 comments

  1. Fabiano Araujo Fernandes Nicacio

    Matéria show não conhecia essa história,parabéns André pelo afinco com as matérias do site !

  2. Pesquisem sobre o kit de transformação da D’Norbert Remodelagem de Norberto Edgar Gonzalez que ficava na Rua Porto Alegre, 396 – Mooca – Sp.Capital . lembro de na época ter visto um : tinha o estepe colocado do lado de fora – tipo Lincoln Continental.

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