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VW Passat em teste

Revista O Cruzeiro nº 31 – 31 de julho de 1974
Reportagem de Fernando Calmon
Fotos: Robson de Freitas

VW Passat em teste

Rápido, seguro e econômico

Iniciamos o teste do Passat quinze dias antes que o carro fosse colocado à venda ou mesmo em exposição na vitrina dos revendedores. A campanha publicitária mostrando as linhas e as características do novo Volkswagen ainda não se iniciara. Mas muitas pessoas tinham tomado conhecimento do lançamento através da imprensa. Um misto de curiosidade, admiração e dúvidas seguiu o Passat por onde passava ou estacionava.

De um modo geral, o público aprovou o carro — pelo menos a distância. Muitos queriam ter certeza “se era refrigerado à água”. Poucos se interessavam em saber sobre a tração dianteira. A maioria achou o carro “muito bonito”. Mas um volksmaníaco chegou a afirmar que não compraria o Passat “por não ter refrigeração a ar”.

O Passat é o primeiro Volkswagen lançado no Brasil segundo os novos conceitos de opção da marca. Produzido ao lado da linha 1600 tradicional (TL e Variant) tem, ao contrário desta, motor refrigerado a água e tração dianteira. O automóvel testado foi um sedã de duas portas, versão L, Marrom Caravela, ao preço de tabela de Cr$31.790,00. O teste de utilização e desempenho de O CRUZEIRO compreendeu 2.000 quilômetros, sob todas as condições de tempo e pavimentação, cidade e estrada.

VW Passat em teste - O Cruzeiro

 

Estilo

É agradável o estilo moderno do italiano Giugiaro, que, além do Passat, desenhou, entre outros, o Alfasud e o Scirocco. A frente simples e de bom gosto destaca o par de faróis redondos na grade dianteira em material plástico (ABS) preto fosco. A traseira pode não agradar a alguns, mas mostra uma solução válida para o estilo fastback, atendendo ao compromisso de bom volume útil para o porta-malas. Para o leigo esta traseira pode lembrar a de uma camioneta. As lanternas são de grandes dimensões e de desenho atual, do tipo envolvente.

VW Passat em teste - O Cruzeiro
A frente do VW Passat é simples, mas destaca o bom gosto do italiano Giugiaro.

De perfil, o Passat destaca-se pelas amplas superfícies envidraçadas. As janelas traseiras são fixas. O friso cromado da cintura parece-nos dispensável. As rodas são de desenho moderno com pequenas calotas negras encobrindo somente as extremidades dos eixos.

  

Acabamento

A Volkswagen tem tradição de bom acabamento em seus produtos. E o Passat não é exceção. A versão L (Luxo), na verdade, é o padrão standard da marca, ficando para a versão LS o verdadeiro acabamento de luxo. Exteriormente, todos os vãos e encaixes, borrachas de vedação, pintura e cromados atingem um nível surpreendente para um carro quase de pré-série (chassi nº 000.115). No interior, um painel de linhas simples com os instrumentos agrupados em dois mostradores circulares grandes e um pequeno, este para o relógio elétrico.

Os bancos tem estofamento em material plástico rugoso e os tapetes são de borracha. O revestimento do teto, do painel abaixo do vidro traseiro e do assoalho do porta-malas são de primeira qualidade. Certos detalhes merecem modificações: substituição da vareta que sustenta o capô por molas, colocação do extintor de incêndio em local acessível (está dentro do porta-malas), revestimento em borracha do pedal do acelerador (a tinta logo soltou-se), botão de trava do encosto dos bancos (eventualmente pode cortar os dedos), redesenhamento da extremidade final do cano de escape (além de feia, está sujeita a danos em estradas ruins), alavanca de câmbio menos singela.

 

Conforto

A faixa de preço do Passat o colocou um pouco distante de concorrentes como o Chevette e o Corcel e até o Dodge 1800 (o modelo GL custa um pouco menos). O nível de conforto e espaço interno é bem superior ao do Chevette e um pouco maior que o Corcel e o Dodge. Em dimensões externas só perde para o Dodge 1800. O porta-malas de 450 litros é o maior entre os pequeno-médios, superando até o do Opala e Maverick. Esses dois carros médios estão na mesma faixa de preço do Passat, sendo maiores apenas externamente.

VW Passat em teste - O Cruzeiro
O extintor está no local errado, dentro do grande porta-malas. Alguns discutem o estilo da traseira do Passat.

Os bancos dianteiros são macios mas não ideais para sustentar o corpo em curvas rápidas. Atrás há bastante espaço para três passageiros, inclusive para as pernas, mas o acesso poderia ser melhor. A suspensão é surpreendentemente macia apesar dos pneus radiais que transmitem as irregularidades da pista com maior intensidade. O estepe está embutido no assoalho do porta-malas, dificultando seu manuseio se houver bagagem, O motor apresenta bom nível de silêncio.

 

Dirigibilidade

A regulagem do encosto do banco permite ao motorista encontrar ótima posição de guiar. A visibilidade é muito boa, principalmente para a frente (o motor inclinado permitiu baixar a altura do capô). Todos os comandos são de fácil acesso, em particular o limpador do pára-brisa, no lado direito da coluna de direção.

A embreagem é macia e progressiva, mas os freios são duros, embora não comprometam a desaceleração. Os pedais do freio e acelerador estão muito afastados, impedindo o punta-tacco. O câmbio, embora macio, não apresenta boa precisão do engate e a alavanca deveria ter outra forma para facilitar o manuseio. A direção é extremamente macia e permite um diâmetro de giro para manobras notável (pouco mais de 10 metros).

As janelas traseiras não podem ser abertas, porém a renovação do ar do interior do carro, quando em movimento, é eficiente, controlável por alavancas e botões no painel e quebra-ventos nas janelas dianteiras. Um ventilador/desembaçador de duas velocidades consta como equipamento de série. A área varrida pelos limpadores de pára-brisas é boa. A suspensão fica ruidosa em pisos  mal calçados, novamente por conta dos pneus radiais. A buzina é fraca (num carro desta categoria, é a mesma do VW 1300). Os faróis são bons.

  

Desempenho e segurança

Qualquer elogio que se faça à estabilidade do Passat, em termos nacionais, é pouco. Ponto alto do carro, supera neste aspecto o Chevette e o Alfa Romeo 2300, pois a estabilidade não sacrifica em quase nada o conforto. Ele é sensivelmente neutro, sem as violentas saídas de frente (subesterço) que poderiam aparecer com a tração dianteira, aliando ainda precisão de direção notável. Responsáveis por tudo isso são as juntas homocinéticas de transmissão (inéditas no Brasil) e os novos pneus Pirelli Cinturatto CN-15 de 13 pol. de diâmetro e perfil baixo.

VW Passat em teste - O Cruzeiro
A atitude em curvas é perfeita, neutra, inclinando pouco a carroceria. Qualquer motorista o controla facilmente.

A aceleração do Passat é excelente, mesmo tendo apenas 1500 cm³ (78 CV SAE). Vai de zero a 100 km/h reais em 14,1 segundos e a velocidade máxima atinge 149,37 km/h. Entre os motores nacionais de quatro cilindros só perde para o do Alfa Romeo, mais sofisticado e de maior cilindrada. O motor não apresenta nenhuma tendência à detonação ou auto-ignição (bom sinal de longevidade), mesmo só utilizando gasolina comum e ao nível do mar. O ventilador elétrico, comandado por termostato, mantém o radiador selado na temperatura ideal de funcionamento com menores risco de superaquecimento. Deve-se respeitar o limite de giros, pois o motor tem alto regime propiciado pelo comando de válvulas no cabeçote. O motor é bem econômico: 9,5 km/litro na cidade e mais de 12 km/litro na estrada a velocidades moderadas.

VW Passat em teste - O Cruzeiro
A vareta que segura o capô é um detalhe criticável. Note o radiador ao lado do motor. Seu ventilador é elétrico.

Os freios param muito bem, sem tendência ao travamento, com progressividade e não apresentaram fading quando muito solicitados. A 100 km/h reais o Passat pára em 42 metros.

Em termos de segurança, o novo VW supera os outros modelos nacionais: coluna de direção não penetrante e com sanfona metálica de amortecimento, duplo circuito hidráulico de freios, direção auto-estabilizadora (para garantir este efeito não se pode aumentar o diâmetro dos pneus, no caso do uso de rodas e pneus mais largos), estrutura progressivamente diferenciada na frente e na traseira para absorver choques, pneus radiais de série, cintos de segurança de três pontos de fixação, pára-brisas com ilha de visibilidade para o motorista em caso de estilhaçamento e travas nos encostos dos bancos dianteiros.

  

Conclusões

Pontos pró:

  • Estabilidade excepcional
  • Ótimo desempenho
  • Muitos itens de segurança

 

Pontos contra:

  • Detalhes de acabamento
  • Freios duros

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