Autoclásica 2015

Autoclásica 2015 - Ferrari

Desta vez a Home-Page do Passat vai abrir uma exceção, pois o evento mostrado aqui não é específico de Passat e nem mesmo havia um Passat em exposição. Porém, é um encontro imperdível para qualquer antigomobilista! Entre os dias 9 e 12 de outubro foi realizado aquele que é considerado o melhor evento de carros antigos da América do Sul. A Autoclásica 2015, realizada na Argentina e que está em sua 15ª edição, levou centenas de veículos antigos ao Hipódromo de San Isidro, com uma variedade de modelos que não seria fácil reunir no Brasil. Desde motocicletas até veículos pesados, como os diversos ônibus, passando por automóveis clássicos e muitos exemplares de competição e militares, o evento conseguiu agradar a todos que gostam de veículos antigos, incluindo muitos brasileiros que estiveram por lá para conferir a festa.

O mercado argentino sempre foi bem diferente e muito mais diversificado do que o nosso. A forte presença das marcas européias, em especial das principais montadoras francesas, é um dos fatores que proporcionaram aos argentinos uma variedade de modelos que nunca tivemos oficialmente por aqui. Sem deixar de citar também a presença desde os anos 70 de marcas japonesas como Honda e Toyota, que só tivemos por aqui em meados dos anos 90. Toda essa variedade, aliada à cultura de preservação muito mais entranhada na cultura argentina do que na brasileira, acaba proporcionando uma riqueza de modelos e versões que podemos ver nesta exposição, incluindo uma grande quantidade de veículos do início do século XX.

Autoclásica 2015 - Peugeot T4b
Furgão Peugeot T4b

E refletindo as características do mercado argentino, o evento contou com diversos exemplares de marcas européias. Pelas marcas francesas, a Renault teve presença oficial da montadora, que colocou um Sandero RS ao lado de um R8 Gordini e um Alpine A110 (nosso Willys Interlagos), antigos esportivos da marca. A presença, aliás, de modelos atuais ou “novos clássicos” dos anos 90 também foi marcante em outras marcas e clubes participantes. Os modelos Citröen foram representados, é claro, pelos modelos 2CV, 3CV e Dyane, até hoje vistos em circulação pelo país em uso diário. Além deles, modelos mais antigos como o Traction Avant, o fantástico DS e os exóticos um pouco mais recentes AMI 8 e CX. A linha Peugeot também foi bem representada, desde um belo modelo 402, de faróis embutidos por dentro da grade, passando por toda a linha 403 (sedã, conversível e station wagon) e a pick-up T4b. O destaque da marca fica com o simpático furgão D4b de 1963. As italianas Fiat, Lancia e Alfa Romeo também estiveram presentes com diversos modelos, sem esquecer, é claro, da grande variedade de modelos Ferrari, que deixavam qualquer um boquiaberto. A mesma sensação era causada pelos modelos ingleses da Aston Martin, que se espalhavam pelo gramado da área do hipódromo. Outros veículos de marcas européias também estiveram presentes no evento, como um raro exemplar do Facel Vega, de produção francesa, e marcas que não estamos acostumados a ver por aqui, como Allard, Talbot, Lotus e Bugatti, entre outros.

Mas os antigos norte-americanos também participaram em bom número. Exemplares de Cadillac, Buick, Dodge, Chevrolet e Ford fizeram justiça à indústria norte-americana, com exemplares de diferentes épocas, como os Mustang e um interessante Ford A Panel Delivery Truck 1928, vindo do Brasil para participar do evento. Era possível também conhecer alguns exemplares de marcas extintas, como Hupmobile, DeSoto (linha intermediária da Chrysler) e Rambler. Outro destaque norte americano foram os dois exemplares de Cord presentes e que sempre chamam a atenção.

Autoclásica 2015 - Justicialista
Justicialista Coupé, um esportivo argentino

Os Rambler, inclusive, eram produzidos na Argentina pela IKA (Industrias Kaiser Argentina), que produziu também o modelo Torino (posteriormente chamado de Renault Torino), um típico modelo argentino baseada na plataforma dos Rambler, que podia ser encontrado em bom número durante o evento. Outro modelo argentino presente no evento era a pick-up Rastrojero, produzida entre 1952 e 1979 pela IAME (Industrias Aeronáuticas y Mecánicas del Estado), e ainda hoje fácil de ver pelas ruas argentinas e também de alguns países vizinhos. Duas unidades do curioso coupê Justicialista, produzido por um curto período também pela estatal IAME, participaram do evento. Este esportivo, produzido em Córdoba com mecânica 2 tempos, levava o nome do partido do então presidente Juan Perón.

É uma pena não poder falar um pouco mais sobre os demais carros em exposição, sob risco do texto ficar muito cansativo. Mas fiquem com as pouco mais de 1000 imagens deste evento e deixem a boba rivalidade Brasil x Argentina apenas para o futebol. Porque com um evento deste nível, os hermanos merecem nossos aplausos!

Fotos: Mário Silva

Texto: Home-Page do Passat

3 comments

  1. Mariola,

    Lindas fotos, meu amigo! Texto excelente!
    Parabéns. Grande abraço e até a noite,

    Welco

  2. Vale a pena.
    Em 2013 fui ver a Autoclasica em Buenos Aires.
    Obviamente fui de Passat.

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