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Passat brasileiro

Revista Auto Esporte nº 117 – Julho de 1974

Apresentação do Passat brasileiro

Passat

Em lançamento impecável, a Volkswagen do Brasil apresentou, à imprensa especializada e seus revendedores, o Passat. Este novo veículo Volkswagen representa, a exemplo da fábrica alemã, uma nova fase da fábrica nacional, que, acreditamos, tem perspectivas de grandes sucessos. Com seu estilo moderno e concepção completamente diferente da tradicional VW, o Passat vem para entrar em uma faixa de mercado onde a briga por um lugar ao sol é dura e incessante, donde a necessidade de sua perfeição.

Refrigerado a água, tração no eixo dianteiro e muitas inovações técnicas no sentido de maior segurança, como a direção retrátil, suspensão dianteira auto-estabilizadora, pára-brisa temperado com ilha de visibilidade, cinto de segurança com três pontos e sistema de duplo circuito para os freios de serviço (a disco na frente), ele vem representando a reformulação conceitual da Volkswagen.

Lançado há pouco mais de um ano na Europa, onde vem obtendo ótimos resultados de vendas, o Passat brasileiro muito pouco mudou, apenas seu motor de 1.471 cc foi adaptado para o uso de gasolina com baixa octanagem (comum), tendo sua taxa de compressão diminuída para 7,0:1 (o alemão tem 9,7:1), pistões de cabeça côncava e outro tipo de carburador.

   

O carro

Apresentado nas versões L e LS, ele é um sedan cupê de 2 portas, 860 quilos, 4,18 metros de comprimento, 5 cm menor que o TL. Com traseira “fast-back”, a carroceria, desenhada em 1970 por Giorgio Giugiaro, tem um estilo leve e obedece a padrões estilísticos caracteristicamente europeus.

A dianteira é adornada por uma grade de plástico ABS preto-fosco, que une os dois faróis redondos e tem no centro a marca VW cromada. Os pára-choques, única lembrança da linha tradicional, são feitos em aço inoxidável cromado e fixados nas pontas, sendo os dianteiros portadores das luzes indicadoras de direção, embutidas nas extremidades.

Apresentação do Passat brasileiro
A apresentação do Passat brasileiro, com direito a um test drive para os jornalistas, aconteceu no Rio de Janeiro, no bairro do Recreio dos Bandeirantes.

   

As lanternas traseiras, colocadas entre o pára-choque e o friso longitudinal que contorna toda a carroceria pela sua linha média, tem englobadas, em um só conjunto, lâmpada bipolar para luz de freio e lanterna, lâmpada do indicador de direção, luz de ré e o olho de gato. A identificação externa da duas versões é feita pelos logotipos Passat L e Passat LS, situados sobre o conjunto de lanternas e abaixo da tampa do porta-malas.

O seu interior, para cinco pessoas, é composto de bancos dianteiros individuais de construção anatômica, forrados em pano-couro (L) ou tecido (LS) e banco traseiro oferecendo lugar para as pernas, mesmo dos mais altos, forrado com o mesmo material.

O painel, revestido em plástico ABS preto-fosco, é bem distribuído, com comando de luzes por tecla de dois estágios, instrumentos e duas entradas de ar nas extremidades. Os instrumentos, colocados em posição visível, são redondos e de fácil leitura. Velocímetro com escala até 190 km/h e odômetro total (o LS também tem odômetro parcial), mais luzes indicadoras de direção, da pressão do óleo e de controle do alternador, juntas com o marcador de gasolina e do indicador de temperatura da água, agrupados em um mesmo instrumento, também redondo, formando o painel de controle, que no LS tem ainda relógio de horas.

Na coluna de direção, encontramos duas alavancas que servem para acionar os indicadores direcionais e comutação dos faróis alto e baixo, a esquerda, e a da direita movimenta os limpadores de pára-brisa de duas velocidades, o lavador do pára-brisa e o temporizador no LS. Para o modelo L, a alavanca aciona apenas as duas velocidades do limpador, ficando o acionamento do lavador no chão, como no Brasília.

   

Ao volante

Por ocasião do lançamento, foi oferecido a cada jornalista um Passat para registro das primeiras impressões. A equipe de Auto Esporte teve oportunidade de fazer este teste, na pista traçada pela Volkswagen nos arredores do Recreio dos Bandeirantes. A pista, muito estreita, com trânsito aberto normalmente e de mão dupla, não nos permitiu uma apreciação muito completa, mas que virá quando finalizado o teste normal.

Ao entrarmos no carro, logo descobrimos a posição ideal de dirigir e com prazer colocamos o cinto de segurança com três pontos de fixação, que é figura indispensável quando se fala de segurança. A boa pega do volante de direção, alavanca de câmbio bem posicionada, uma pedaleira que a princípio dificulta o punta-e-taco, mas logo se pega o jeito, e um banco com muitas posições de regulagens, tanto no sentido longitudinal quanto no encosto, possibilitam o rápido e bom posicionamento. A boa visibilidade é proporcionada pela linha baixa do capô dianteiro, pela disposição dos espelhos interno e externo e por uma grande área envidraçada onde existem poucos pontos mortos.

Apresentação do Passat brasileiro

Logo que iniciamos o movimento, o motor nos mostra sua eficiência, bastante elasticidade, traduzida por um bom torque e relações de câmbio e diferencial exatas. Ágil e veloz, talvez o mais rápido de sua classe, em termos nacionais (150 km/h segundo o fabricante). A direção, completamente isenta de vibrações, é leve e muito precisa, o que facilita a manutenção da trajetória em curvas e retas. Apesar de as condições do teste não nos permitir muitas curvas, pudemos sentir o seu equilíbrio e estabilidade.

Com uma leve tendência ao sobre esterço em curvas de baixa velocidade (as únicas que haviam), achamos a sua suspensão um pouco mole, o que nos foi confirmado pelo pessoal da engenharia da Volkswagen, que disse estarem os amortecedores um pouco moles, mas seriam endurecidos, não havendo assim prejuízo para o conforto, que é inegável.

A existência de grandes ventos no dia do lançamento que pareciam saudar a chegada de um irmão, nos mostrou ser o Passat imune a ventos laterais. Os freios, auxiliados pela mais importante inovação da Volkswagen, o raio negativo de rolagem, que anula o desequilíbrio nas frenagens quando há uma desigualdade na regulagem dos freios, são, apesar das poucas chances que tivemos para testá-los, bons.

Uma informação mais detalhada e completa será dada no próximo mês, quando Auto Esporte terminará o teste completo do Passat.

   

Ficha técnica do Passat brasileiro

Motor – De quatro cilindros em linha, dianteiro, quatro tempos, diâmetro e curso dos cilindros: 76,5 x 80,0 mm; cilindrada total: 1.471 cm³; taxa de compressão: 7,0:1; comando de válvulas no cabeçote; válvulas de admissão e escapamento no cabeçote; potência máxima de 65 CV DIN a 5600 rpm ou 78 CV SAE a 6100 rpm; torque máximo de 10,3 mkgf DIN a 3000 rpm ou 11,5 mkgf SAE a 3600 rpm; alimentação por carburador de aspiração descendente Solex H35 PSDI.
Transmissão – Tração dianteira, por engrenagens cônicas com dentes helicoidais, diferencial e semi-árvores oscilantes; embreagem monodisco a seco de acionamento mecânico; caixa de câmbio de quatro marchas sincronizadas à frente e uma à ré. Relação de marchas: 1ª) 3,45:1; 2ª) 2,06:1; 3ª) 1,37:1; 4ª) 0,97:1; ré) 3,17:1; relação de diferencial, 4,11:1.
Carroceria – Carroceria de chapa de aço estampado, tipo sedã, quatro portas e cinco lugares; estrutura monobloco.
Suspensão dianteira – Independente, McPherson, com braços inferiores triangulares, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora.
Suspensão traseira – Eixo rígido oscilante, tubo de torção, braços longitudinais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora diagonal.
Freios – A disco, com corpo flutuante, nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras, de acionamento hidráulico com circuito duplo em diagonal; freio de estacionamento mecânico atuando nas rodas traseiras.
Direção – Mecânica, do tipo pinhão e cremalheira. Voltas do volante: 3,94, de batente a batente. Diâmetro mínimo da curva: 10,3 metros.
Rodas e pneus – Rodas de aço estampado com aro 13 polegadas e tala 4,5 polegadas; pneus 155 SR 13 radiais. Pressão para todas as condições de carga: 1,8 atm / 26 libras
Dimensões externas – Comprimento, 418,0 cm; largura, 160,0 cm; altura, 135,5 cm; distância entre eixos, 247,0 cm; altura livre do solo, 13,0 cm; bitola dianteira, 134,0 cm; bitola traseira, 133,5 cm.
Peso em ordem de marcha (sem combustível) – 860 kg
Performance (dados do fabricante) – Velocidade máxima (conforme DIN 70020): 150 km/h; Capacidade em subidas (com 1/2 carga): 1ª – 42,9%; 2ª – 24,4%; 3ª – 14,7%; 4ª – 9,0%; Ré – 39,8%; Aceleração: 0-80 km/h – 10,6 s; 0-100 km/h – 15,3 s; Consumo de gasolina (conforme DIN 70030): 12 km/litro.

  

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