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Peço a permissão dos visitantes do site para não falarmos de Passat neste artigo. O assunto hoje é bem mais amplo, e de interesse de todos os admiradores de carros antigos, sejam eles de qualquer marca ou origem. A comunidade antigomobilista brasileira mal se recuperou da decepção pelo emblemático Museu de Tecnologia da Ulbra, na cidade de Canoas - RS, e já nos deparamos com outra notícia assustadora: o Museu do Automóvel de Brasília, administrado pelo competente Roberto Nasser, corre o sério risco de ser desalojado.
O museu é uma iniciativa da Fundação Memória do Transporte, entidade sem fins lucrativos, e o prédio onde o acervo é mantido atualmente pertence ao governo federal. A secretaria responsável pelo prédio decidiu cedê-lo para o Ministério dos Transportes, que pretende usá-lo como arquivo de documentos. Com isso, todos os automóveis antigos preservados e demais peças em exposição teriam que ser retirados e não há outro local com infra-estrutura adequada para que eles permaneçam recebendo a visitação do público.
A importância do Museu do Automóvel é notória, pois nele estão reunidas verdadeiras preciosidades que fazem parte da história da indústria automobilística brasileira. Exemplares raros, de produção limitadíssima, como o FNM Onça e o Democrata, foram resgatados e passaram por minuciosa restauração, sendo os únicos exemplares destes modelos em exposição permanente no mundo. O Itamaraty Executivo que faz parte do acervo, além de ser um dos apenas 27 exemplares produzidos, é também o primeiro veículo a receber as placas pretas no Brasil. O Alfa-Romeo 2300, ano 1974, é possui chassis nº 15 e equipado com o motor nº 1. Outros exemplares merecem destaque, como o protótipo do Fiat Tempra pick-up, um raro Brasinca Uirapuru, além de modelos que podem não ser tão raros, mas encontram-se em impecável estado de conservação e assim ajudam a contar a história da indústria nacional, como Aero-Willys, Gordini e Simca Chambord, entre outros. Os carros importados também possuem seu espaço, como os Ford T 1919 e 1926, além de um Amilcar 1924, carro francês usado em competições.
Em 2009 o Museu do Automóvel, novamente pelas mãos de Roberto Nasser, resgatou das trevas o único exemplar do Willys Capeta, que a décadas jazia no interior do antigo Museu de Caçapava, sujeito a ação do tempo e de vândalos. Junto ao Capeta, foram resgatados também um Overland 1906, um Willys Knight 1926 e um Willys Whippet Four 1928. Os 4 automóveis pertecem a Ford, que os havia cedido em regime de comodato para o Museu de Caçapava, e cujo resgate só foi possível após batalha judicial. A Ford designou o Museu do Automóvel de Brasília como responsável por trazê-los a vida novamente, e também aos olhos do grande público.
O Museu do Automóvel tem caráter cultural indiscutível, tendo recebido mais de 100.000 visitantes, incluindo excursões de escolas, e é reconhecido como sendo de Utilidade Pública Federal. O texto abaixo foi enviado pelo seu curador, Roberto Nasser, a amigos e contatos, sendo divulgado publicamente em alguns blogs:
Portanto, como podemos ajudar o Museu do Automóvel?
Uma das opções é fazer o que foi solicitado pelo seu curador, enviando um e-mail para curador@museudoautomovel.org.br manifestando-se contrários ao fechamento do museu. Tais manifestos serão reunidos em um pedido para que tentará sensibilizar as autoridades responsáveis.
A segunda opção é assinar uma petição on-line criada para solicitar o não-fechamento do museu (clique aqui para acessar a petição)
Para os moradores de Brasilia e região, o blog Autoentusiastas informa que após a solenidade de entrega do Ford Galaxie que pertenceu ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, totalmente restaurado em uma parceria entre colecionadores e o Exército Brasileiro, ao Memorial JK, os antigomobilistas se deslocarão até o Museu do Automóvel para dar um abraço simbólico no prédio. Maiores informações podem ser acessadas neste link.
Abaixo, alguns sites e blogs de grande visitação que apóiam a causa do Museu do Automóvel:
Vamos fazer a nossa parte e tentar evitar que o Brasil perca mais um museu de extrema importância, entre tão poucos que já existem.
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