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Antepassados: Volkswagen K70

Volkswagen K70

O segundo artigo da série “Antepassados” vai contar um pouco da história de um pioneiro da VW. Pouquíssimo conhecido no Brasil, este modelo é um velho conhecido dos admiradores do Passat. Este carro é o K70, o primeiro com motor refrigerado à água e tração dianteira a utilizar o emblema da Volkswagen.

O K70 foi projetado pela NSU, que tivemos a oportunidade de contar a história aqui em resumo no artigo sobre o Ro 80. Idealizado para complementar a linha da NSU, o K70 foi projetado como um sedã de 4 portas. Seu tamanho era intermediário entre o pequeno Prinz e o próprio Ro 80. A nomenclatura seguia os padrões da montadora, sendo o K relacionado ao motor convencional com pistões (kolben em alemão), seguido da potência de 70 cv.

O K70 apresentava inhas retas e grande área envidraçada. Fonte: Auto Bild
O K70 apresentava inhas retas e grande área envidraçada. Fonte: Auto Bild

 

Sua mecânica foi desenvolvida a partir do motor 1200 de 4 cilindros utilizado no NSU Prinz. Porém com sua cilindrada aumentada para 1605cc, refrigeração era à água e montado de maneira longitudinal na dianteira. Vale ressaltar que esse motor não se assemelha aos utilizados posteriormente nos Passat. Os freios dianteiros, a disco, eram instalados ao lado do motor e não nas rodas. Herança do Ro 80 e recurso utilizado também em modelos de outras marcas, como DKW, Jaguar, Citröen, entre outros. O câmbio era manual, de 4 marchas. O tanque de combustível era montado imediatamente a frente do eixo traseiro, permitindo maior espaço no porta-malas.

O motor do K70 era diferente de tudo o que já havia sido feito pela Volkswagen: um 4 cilindros em linha, refrigerado à água, sendo duas opções de 1.6 (75 e 90cv) e, posteriormente, uma opção 1.8 (100cv). Foto: Auto Motor und Sport
O motor do K70 era diferente de tudo o que já havia sido feito pela Volkswagen: um 4 cilindros em linha, refrigerado à água, sendo duas opções de 1.6 (75 e 90cv) e, posteriormente, uma opção 1.8 (100cv). Foto: Auto Motor und Sport

 

O desenho do K70 foi feito pelo designer Claus Luthe, responsável também por outros projetos da NSU. O carro apresentava linhas retas, lembrando mais o estilo utilizado no Prinz do que o aerodinâmico Ro 80. Era, porém, bastante atual para a época, com ampla área envidraçada, o que proporcionava ótima visibilidade. A distância entre-eixos era de 2.690 mm, com comprimento total de 4.455 mm e 1.665 mm de largura, com peso de 1050kg. A carroceria foi produzida apenas na versão 4 portas. Uma versão “Variant” também foi planejada, porém nunca chegou ao mercado. Os faróis e lanternas seguiam o mesmo estilo da carroceria, com linhas retas e formatos retangulares.

Na fábrica de Salzgitter, o K70 dividia a linha de montagem com o VW 412, modelo que ele deveria substituir.
Na fábrica de Salzgitter, o K70 dividia a linha de montagem com o VW 412, modelo que ele deveria substituir.

 

E o NSU se transforma em Volkswagen…

O modelo tinha previsão de lançamento pela NSU em 1969, e seria apresentado no Salão de Genebra. Porém neste mesmo ano a empresa foi absorvida pelo grupo Volkswagen e integrada a Auto Union, adquirida 5 anos antes. Por conta disso, o lançamento do K70 acabou sendo adiado.

A Volkswagen ainda baseava toda a sua linha em modelos com motor boxer traseiro refrigerado à ar, e precisava de uma renovação. Seu modelo de porte médio na época era o 411. Lançado em 1968, era um modelo de mecânica robusta, possuindo diversas inovações quando comparado ao “Type 1”, o nosso Fusca. Porém, outras montadores ofereciam opções similares a preços menores. A VW precisava se renovar para não perder espaço e buscou a solução dentro do seu próprio grupo. O K70 foi o escolhido para tentar mudar a imagem da empresa. Sua produção começou, enfim,em agosto de 1970, como Volkswagen, na fábrica de Salzgitter.

A versão com motor 1.8 se diferenciava externamente das demais pelos faróis circulares.
A versão com motor 1.8 se diferenciava externamente das demais pelos faróis circulares.

 

O lançamento

A reação do mercado alemão foi bem semelhante ao que tivemos aqui no Brasil na ocasião do lançamento do Passat. Os consumidores estranhavam um Volkswagen com aquelas características e a rede autorizada enfrentou o desafio de se adaptar depois de décadas a uma mecânica completamente diferente da habitual. Porém, não havia dúvida de que se tratava de um automóvel de concepções bem mais modernas do que os VW produzidos até então. Inicialmente, era possível escolher entre dois motores 1.6, de 75 ou 90 cv, apesar da nomenclatura inicialmente padronizada pela NSU e mantida na época do lançamento indicar a potência de 70 cv. Uma opção de motor 1.8 com 100 cv passou a ser oferecida a partir de 1973, no K70 LS. Esta versão, além do motor mais potente e de um acabamento mais luxuoso, possuía também 4 faróis circulares, ao contrário dos 2 retangulares das demais versões.

O interior comportava bem 5 passageiros, e possuía bom acabamento. O painel poderia contar, além do essencial, com um conta-giros, e guardava semelhanças com o utilizado no Audi 100 e o que seria usado anos mais tarde no Passat.

O interior tinha bom acabamento e o painel poderia contar com conta-giros. O câmbio era manual de 4 marchas, sem possibilidade de ser automático.
O interior tinha bom acabamento e o painel poderia contar com conta-giros. O câmbio era manual de 4 marchas, sem possibilidade de ser automático.

 

A imprensa especializada

O K70 agradou de uma maneira geral a imprensa especializada e acabou ficando com a 2ª posição da edição de 1971 do “Car of the Year”, ficando entre dois Citröen: o vencedor e compacto GS e o luxuoso SM, que ficou com o 3º lugar. Porém, seu preço acabou não ajudando muito nas vendas. Até mesmo dentro do mesmo grupo ele sofria a concorrência do recém lançado Audi 100, enquanto também disputava vendas com o VW 411 (e posteriormente 412), linha que ele deveria substituir.

A edição de março de 1972 da revista inglesa “Autocar” (o K70 com direção do lado direito só chegou na Inglaterra no final de 1971) cita que o K70 tinha o preço equivalente ao Saab 99, que possuía motor 1.8, e era apenas £100 mais barato que o Audi 100 LS, que também oferecia maior cilindrada. Porém citava como vantagens ter o valor equivalente ao Peugeot 504 e ser cerca de £150 mais barato que o Volvo 144.

Modelo do K70 em escala (esq.) e K70 junto a alguns concorrentes no mercado alemão, durante teste da revista Auto und Sport: VW 411 LE, Audi 100 LS, Renault 16 TS e BMW 1600 (dir.).
Modelo do K70 em escala (esq.) e K70 junto a alguns concorrentes no mercado alemão, durante teste da revista Auto und Sport: VW 411 LE, Audi 100 LS, Renault 16 TS e BMW 1600 (dir.).

 

Baixas vendas e caminho aberto para um novo projeto

O baixo desempenho das vendas apressou a Volkswagen a encontrar o seu substituto. Utilizando a mesma fórmula de buscar a solução dentro da empresa, buscou no Audi 80 em sua plataforma B1, lançada em 1972, a base para um novo modelo: o Passat. Por consequência, a partir de 1973, o K70 passou a sofrer também a forte concorrência do Passat, ainda mais moderno e com valor inferior. Curiosamente, os modelos 412 (sucessor do 411), K70 e Passat coexistiram no mercado alemão até meados de 1974, quando o 412 teve sua produção encerrada.

No geral, um carro equilibrado e de linhas agradáveis. Fotos: Auto Motor und Sport
No geral, um carro equilibrado e de linhas agradáveis. Fotos: Auto Motor und Sport

 

Apesar de suas qualidades, o VW K70 nunca atingiu um grande número de vendas. Sua produção foi encerrada no início de 1975, após cerca de 210.000 unidades produzidas. No Brasil, é um carro bastante raro, sem um registro definido de quantos chegaram aqui na época ou mesmo por alguma possível importação recente. Atualmente pelo menos dois exemplares são conhecidos. Um deles está no Rio de Janeiro, ainda com placas amarelas e para restauro. O outro se encontra no interior de São Paulo e a última notícia que tivemos é que estava em processo de restauração. Se você tem maiores informações sobre estes ou outros exemplares em território brasileiro, entre em contato!

3 comments

  1. Ótima matéria!

  2. Parabéns não só pela matéria mas também pela série “Antepassados”! Louvável a iniciativa de se fazer esse registro histórico!

  3. Muito bacana! Texto elucidativo e recheado de dados.

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